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Reforma Tributária no Brasil: O que muda com a aprovação na Câmara?

  • Foto do escritor: Umberto Cunha
    Umberto Cunha
  • 17 de jul. de 2023
  • 4 min de leitura

Após intenso debate e uma votação decisiva, a Câmara dos Deputados aprovou a aguardada reforma tributária no Brasil, uma grande conquista para o presidente da Câmara, Arthur Lira. Agora, o projeto será encaminhado ao Senado para discussões adicionais a partir de agosto.

Simplificando o Sistema Tributário

Um dos principais objetivos da reforma é simplificar o intrincado sistema tributário do país. Para isso, propõe-se a unificação de cinco tributos - IPI, PIS e Cofins (federais), ICMS (estadual) e ISS (municipal) - em dois Impostos sobre Valor Agregado (IVAs). Um desses impostos seria administrado pela União, enquanto o outro seria gerenciado conjuntamente por estados e municípios.


Transição Gradual

Esta reforma não ocorrerá do dia para a noite. Há um período de transição planejado que se estende de 2026 a 2032, com a extinção total dos impostos atuais prevista para 2033. Durante essa fase de transição, a alíquota do IVA federal será de 0,9%, enquanto a do IVA estadual e municipal será de 0,1%. As alíquotas do IVA estadual e municipal serão então gradualmente aumentadas para compensar a arrecadação original dos tributos a serem extintos.


Novo Conselho Federativo

A reforma prevê a criação de um Conselho Federativo, encarregado de centralizar a arrecadação do futuro IVA estadual e municipal. Com representantes de todos os estados e municípios, este conselho será um órgão vital para a coordenação e implementação da reforma.


Desenvolvimento Regional e Redução das Desigualdades

A reforma também estabelece a criação do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR), com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais. O fundo começará com R$ 8 bilhões em 2029, aumentando progressivamente até 2032. A partir de 2033, o governo federal destinará R$ 40 bilhões por ano ao FDR.


Ajustes na Tributação de Renda e Patrimônio

A reforma não se limita apenas à reestruturação dos impostos sobre consumo. Ela também prevê mudanças na cobrança de impostos sobre renda e patrimônio, como a cobrança de IPVA para jatinhos, iates e lanchas, a implementação de tributação progressiva sobre heranças e a atualização da base de cálculo do IPTU.


Impacto Setorial

Setores específicos também serão impactados pela reforma. O setor agropecuário, por exemplo, verá uma redução de 60% na alíquota do imposto cobrado sobre produtos agropecuários. Adicionalmente, a reforma aumenta o limite de faturamento para isenção tributária de produtores rurais de R$ 2 milhões para R$ 3,6 milhões.


O avanço da reforma tributária é um passo significativo para simplificar o sistema tributário brasileiro, promovendo maior equidade e eficiência. Porém, o caminho ainda é longo e as discussões continuarão no Senado nos próximos meses. Continuaremos acompanhando de perto os desenvolvimentos e mantendo você informado.


Análise Jurídica da Reforma Tributária:Impacto para o Empresariado Brasileiro por Leonardo Vieira Pires


Com a recente aprovação da reforma tributária na Câmara dos Deputados, é crucial que os empresários brasileiros se familiarizem com as implicações jurídicas desse marco regulatório. Como CEO da Vieira Pires Advogados, especializada em Direito Empresarial, apresento uma análise aprofundada dessa reforma, esmiuçando as questões mais relevantes para o setor empresarial.


Simplificação do Sistema e Redução da Complexidade Fiscal

A proposta da reforma é a unificação de cinco tributos - IPI, PIS e Cofins (federais), ICMS (estadual) e ISS (municipal) - em dois Impostos sobre Valor Agregado (IVAs). Tal medida, embora possa inicialmente implicar ajustes no cálculo tributário, promete uma notável simplificação do sistema tributário brasileiro, potencialmente reduzindo custos operacionais e burocráticos para empresas.


Impacto nos Setores Específicos

A reforma propõe medidas de ajustes setoriais. No caso do agronegócio, por exemplo, a alíquota de tributos sobre produtos agropecuários será reduzida em 60%. Além disso, a isenção tributária para produtores rurais será estendida para aqueles com faturamento de até R$ 3,6 milhões, um aumento significativo em relação ao limite atual de R$ 2 milhões. Empresas nesses setores precisarão avaliar e adaptar suas estratégias fiscais de acordo com essas novas diretrizes.


Impacto da Transição para o IVA

A reforma prevê um período de transição para o IVA, estendendo-se de 2026 a 2032. Durante esse tempo, os contribuintes devem observar a complexidade potencial dessa transição e garantir a conformidade com as diferentes alíquotas em vigor em cada etapa da implementação. A falta de conformidade pode resultar em penalidades fiscais onerosas e responsabilidades potenciais.


Novos Órgãos de Supervisão e Regulação

A criação de um Conselho Federativo e o Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) pode trazer novas dinâmicas na gestão e supervisão tributária. As empresas devem estar cientes dessas mudanças na governança tributária e se preparar para lidar com novos órgãos regulatórios.


Mudanças na Tributação de Renda e Patrimônio

As mudanças propostas na tributação de renda e patrimônio podem impactar tanto a estrutura de propriedade como a gestão fiscal das empresas. A reforma contempla a cobrança de IPVA para jatinhos, iates e lanchas, e a implementação de tributação progressiva sobre heranças. Essas medidas podem afetar a estratégia tributária de empresas e empresários que possuem esses ativos.


O caminho para a implementação completa da reforma ainda é longo, com discussões a serem realizadas no Senado. É crucial que os empresários brasileiros mantenham-se atualizados sobre essas mudanças e trabalhem em estreita colaboração com seus assessores jurídicos e fiscais para garantir a conformidade e otimizar suas estratégias fiscais.


 
 
 

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